Hospital de Teresópolis anuncia corte de serviços e alerta para risco de colapso na saúde pública
06/01/2026
(Foto: Reprodução) Hospital de Teresópolis vai demitir e reduzir leitos após corte de verba
O Hospital das Clínicas de Teresópolis Costantino Ottaviano (Hctco), Região Serrana do Rio confirmou que precisará demitir funcionários e reduzir drasticamente o número de atendimentos e leitos por conta de um corte de verbas no contrato de prestação de serviço ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A Prefeitura do município propôs reduzir em 40% o valor do contrato, alegando que pagava por serviços que ficariam ociosos. A direção do HCTCO negou a ociosidade, apresentando a planilha de ocupação que ultrapassou 90% em praticamente todas as especialidades (com exceção da Pediatria) e alerta que a medida vai reduzir a capacidade de atendimento à população, dificultando transferências e o acesso a exames.
Em nota oficial divulgada em conjunto com a Fundação Educacional Serra dos Órgãos (Feso) nesta segunda-feira (5), a direção do hospital detalhou os cortes previstos na proposta municipal: 43 leitos de internação serão desativados, além da redução de 50% na realização de exames de média e alta complexidade.
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Hospital das Clinicas em Teresópolis Costantino Ottaviano
Divulgação
Ocupação em 90%
A redução no repasse já está impactando o HCTCO, que iniciou a dispensa de equipes. A direção do hospital rebateu a alegação de leitos ociosos, afirmando que a ocupação média dos leitos de média complexidade fica entre 90% e 95% ao longo do ano.
“Não existe ociosidade de leitos que justifique a redução solicitada pela Secretaria de Saúde”, afirmou a nota do hospital. A desmobilização das equipes, segundo a diretora-geral do HCTCO, Rosane Rodrigues Costa, tornará impossível reconstruir o atendimento posteriormente.
O HCTCO é a principal unidade hospitalar da Região Serrana com capacidade para atender alta e média complexidade via SUS. Segundo a direção, o único outro hospital contratado da cidade, administrado pela Beneficência Portuguesa, tem atendimento muito limitado, focado apenas em ortopedia e pediatria, e não possui estrutura para absorver a demanda perdida.
O que diz a Prefeitura
O secretário municipal de Saúde, Fábio Gallote, confirmou as mudanças na repactuação do contrato, mas garantiu que não haverá perda no atendimento à população. Gallote afirmou que o corte se deu após um diagnóstico que avaliou que o município estava pagando por leitos ociosos, na modalidade pré-paga, o que gerava altos custos desnecessários.
O secretário explicou que a Prefeitura retirou a modalidade de pagamento pré-pago dos leitos e que a demanda de exames e atendimentos ambulatoriais retirada do HCT será absorvida pela rede municipal de saúde.
Hospital alerta para precarização
Ao g1, o diretor-geral da Feso, Luis Eduardo Possidente Tostes, e a Dra. Rosane Rodrigues Costa, diretora-geral do HCTCO, rebateram as afirmações do secretário.
Eles alertaram que a redução de 43 leitos (passando de 150 para 107) prejudicará transferências e internações. A proposta prevê a diminuição de 126 internações e 76 cirurgias de média complexidade por mês.
A direção do hospital também divulgou que a redução de serviços prevê cortes de 11.088 exames de média complexidade e 225 de alta complexidade.
Dívida milionária
Na nota de esclarecimento, o HCTCO aproveitou para detalhar o histórico de subfinanciamento e a dívida que a Prefeitura Municipal de Teresópolis mantém com a unidade.
O hospital informou que a dívida total chega a R$ 123,2 milhões, composta por débitos de gestões anteriores e valores referentes aos anos de 2024 e 2025. O hospital ressaltou que, apesar do déficit sistemático, manteve o atendimento inalterado até o momento.